Começa aqui uma série de posts do Buteko do Pingazilla sobre aquela loira que nos move e nos alegra sempre que precisamos dela: a cerveja! Longe de pretender escrever uma tese de mestrado sobre cervejas, vou tentar explorar um pouco desse mundo injustiçado pelo brasileiro de forma acessível e o mais informal possível, sem muita firula, pra despertar o interesse naqueles que ainda não olham nossa loira gelada com o devido carinho que ela merece.
Se você está lendo este texto com certeza gosta da dita cuja e provavelmente já deve ter se perguntado qual seria o motivo de uma cerveja que nunca ouviu falar custar tão caro no supermercado. O que teria ela de tão especial? Vou pagar pra ver? Hoje em dia temos tantas opções disponíveis nas prateleiras dos grandes mercados que a maioria das pessoas se depara com aquilo tudo e não sabe nem por onde começar a olhar, o que as inibe de experimentar um produto fora daquilo que já conhecem. Quem quer gastar dinheiro com uma cerveja cara, e que nem sabe se vai gostar? Pra quebrar um pouco dessa barreira, o objetivo dessa coluna cervejeira é justamente desmistificar e incentivar as pessoas a sair do convencional, experimentar um pouco desse mundo que pode ser (e é) tão diversificado quanto o do vinho, mas não tem o mesmo “glamour”.
Feita a introdução, dedico essas primeiras linhas ao básico, começando pelos tipos de cerveja existentes.
Existem duas principais famílias de cerveja, sendo elas as de fermentação baixa – LAGERS (lê-se léguers) – e as de fermentação alta – ALES (diga Êious). Essas famílias diferenciam-se principalmente no processo de fermentação do mosto, que é a matéria-prima da nossa breja. Não vou entrar em maiores detalhes do processo de fabricação. Caso tenha interesse, veja AQUI uma explicação bem legal sobre isso.
Diferente do que muitos pensam, quando se diz que uma cerveja é de “fermentação baixa”, não quer dizer, de forma alguma, que ela foi pouco fermentada. Da mesma forma uma cerveja de fermentação alta não fez hora extra durante esse processo! “Baixa” ou “Alta” aqui fala sobre a temperatura em que essa fermentação ocorreu.
A fermentação baixa: É a forma mais popular e difundida no Brasil e na América em geral. Ela é feita a uma temperatura de cerca de 10 ºC e origina a família das LAGERS. Devido à temperatura mais baixa, a levedura (são fungos, assim como o fermento biológico de cozinha) deposita-se no fundo do tanque de fermentação. Há quem confunda também a localização da levedura com os termos “alta” e “baixa”, o que não é totalmente verdade. Isso é uma consequência da temperatura.
Dentro das LAGERS, ainda existem diversas subdivisões, os estilos de cerveja. De longe, o estilo de Lager mais conhecido e apreciado aqui em terras brasileiras é o Pilsen. Mas existem outras Lagers também, como as München, Vienna, Schwarzbier, Dunkel, entre outros. Nos três primeiros estilos citados as cervejas são claras e nos dois últimos são escuras, cada um com suas características próprias. Ou seja, existe muito mais além da clássica divisão “cerveja clara” / “cerveja escura” presente na cabeça da maioria das pessoas.
A fermentação alta: Nesse processo a fermentação acontece numa temperatura mais alta, em torno de 20 ºC, e a levedura sobe pra superfície concentrando-se no topo do tanque. É assim que se originam as ALES. Via de regra, uma cerveja Ale é muito mais complexa do que uma Lager. Esse processo de fermentação em temperatura alta afeta completamente as características finais da cerveja. No próximo post iremos falar mais um pouco sobre quais são essas características e o que significam, sobre como diferenciar cervejas.
Por causa dessa complexidade maior das Ales, dentro dessa família existem muito mais estilos de cerveja do que nas Lagers. Algumas delas uma pessoa desavisada dificilmente identificaria como sendo cerveja! Como exemplo de Ale, pode-se citar as Bitter Ale, Stout, Red Ale, as cervejas de abadia Blonde, Dubbel, Trippel, Quadrupel e uma infinidade de outros estilos. A cor também varia muito, podendo ir da cerveja bem clara até uma totalmente preta, vermelha, laranja ou marrom. Nas Ales é possível encontrar os mais diversos sabores e aromas, coisas bastante limitadas nas Lagers.
Mas nem só de Ales e Lagers vive o mundo das cervejas. Existem ainda outras famílias que serão abordadas em seu devido tempo. Nos próximos textos vamos aprofundar o assunto e ir misturando com alguns reviews. Como lição de casa fica a seguinte tarefa: quando for comprar sua próxima cerveja, leia o rótulo inteiro e procure descobrir qual é o estilo daquela cerveja. Beba e depois compare com outras cervejas do mesmo estilo tentando identificar semelhanças e diferenças. Levante características. Repare bem o que faz você gostar de uma marca mas não gostar de outra, que essa será a base do próximo post.
Ein Prosit!